quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sobre a (in)visibilidade do artista negro

Já se passou mais de meio século desde o surgimento do Teatro Experimental do Negro, grupo que teve sua estreia no palco do Teatro Muncipal do Rio de Janeiro com uma cena repleta de atores negros. Naquele cena estavam nomes como Abdias do Nascimentos, Ruth de Souza, Solano Trindade e por aí vai. O TEN mostrou que o negro tinha plena capacidade de representar.
 Escrevo esse texto porque ainda hoje as atrizes e atores negros são colocados em um "saco", quando se fala de uma atriz ou ator negro com mais 10,15,20,30,40,50 anos de carreira se diz: "aquela atriz negra, ai agora não me lembro o nome". Sabe quem é Ruth de Souza, Léa Garcia? Sim, claro... é aquela que fez uma mãe de santo numa novela! Não minha senhora aquela é a Xica Xavier, mas talvez elas também tenha feito esse papel...porque será?
Um diretor negro aqui de Porto Alegre, com mais de 40 é sempre indicado como: "o jovem diretor fulano de tal". Creio ser essa uma herança colonizadora onde o negro era tratado como inferior, com falta de maturidade, como criança mesmo.
Tudo bem tenho que admitir que o cenário está mudando, afinal de contas o número de atores negros que uma das redes de maior audiência da televisão brasileira vem lançando nos últimos tempos está aumentando. Mas fiquemos em alerta, pois as negras ainda são as gostosas e "doidinhas" por marido. O professor negro não tem família ou quando tem é totalmente desestruturada, o contador da empresa é mal caráter, um personagem que seria uma grande promessa de estrategista num  filme recentemente lançado, tem atitude e um fim que não condiz com a sua trajetória na ficção. Como dizia o professor de um grande cursinho, "até meu cachorro saberia o que fazer naquele situação".
Vamos deixar a hipocrisia de lado, não é um favor colocar artistas negros na cena teatral, televisiva ou cinematogáfica, somos mais de 50% da população desse país, o Brasil é indígena, negro, pardo, mestiço e branco. Reparem a quantidade de jovens atores não negros que são revelados todo o ano na televisão brasileira. E como ficamos hiper-mega felizes ao ver mais uma cara preta na telinha. Façam assim: olhem para a telinha, olhem para a telona e para os palcos, depois para a rua e digam se estou certa ou errada.

Quem são essas:


E essas...







E tem muito mais.

Léa Garcia
Ruth de Souza
Xica Xavier
Thalma de Freitas
Tais Araujo
Maria Ceiça
Danielle Ornelas
Adriana Lessa
Sheron Menezes
Maria Gal
Glau Barros
Vera Lopes
Ravena Dutra
Dedy Ricardo
Josiane Acosta
Adriana Rodrigues

conheço e tenho certeza que existe muito mais...

2 comentários:

Nessinha disse...

Uma grande postagem e ótima crítica à sociedade brasileira.
Exemplo de mulher e irmã.. o que falta no Brasil e no mundo são pessoas como você.
Continue assim.
Te amo
Vanessa Acosta (futura jornalista)

Jorge Fiel disse...

Josiane:

percebo da mesma forma a intolerância, a falta de acesso e de inclusão. Sou totalmente solidário ao seu ponto de vista!

Um abraço, Jorge-Fiel.