quinta-feira, 1 de julho de 2010

Estou buscando a identidade?

Hoje estou afim de escrever, é que meu irmão acabou de sair aqui de casa, ele está cursando música no IPA, pra variar somos sempre a voz solitária na academia. Não quer dizer que somos os únicos negros na sala (sempre tem mais dois), mas somos aqueles com coragem de falar do nosso povo, defender o que fomos, o que somos (Vá fundo meu irmão!!!).

Como diz Vera Lopes: "precisamos sempre provar a nossa sanidade". É que meu irmão acaba de descobri Carlos Moore, imaginem só! Em seu mais recente livro o homem diz que Marx era racista?! Agora ele saí por aí contando tudo aquilo que esse grande estudioso coloca em suas obras, mas os colegas não acreditam. Resolve mostrar a biografia do "Cara", e eles ficam de boca aberta. É lindo quando começamos a descobrir o outro lado da  história, quando encontramos grandes intelectuais negros, aí o mundo que eles nos apresentaram começa a ruir. Precisamos ocupar espaço, dialogar com o outro. O conhecimento transforma o homem, e este conhecimento de várias formas nos é negado.

Contruir identidade é dificil:
Conta uma atriz negra que estava no Teatro São Pedro e senhoras Lisas reclamavam de seu cabelo crespo e volumoso, pois ele atrapalhava a visão da peça. O que desejavam aquelas senhoras?

Uma outra atriz conta que por muitos anos ficou sem comer banana na rua, pois na infãncia levou banana de lanche e os coleguinhas a chamaram de macaca. Com um pouco mais de 30, ela, num belo dia de sol, se vê já no portão de casa com uma banana na mão, parou, sorriu e seguiu em frente saboreando a fruta.

Uma outra atriz, que é mãe, ativista social, certa vez foi apresentada a Luiz Melodia, na época era diarista. Sua patroa disse: essa é minha empregada. Luiz respondeu: não, ela é uma princesa africana! Na época ela não entendeu aquelas palavras, hoje diz: é claro meus ascentrais foram sequestrados de seus paises, eu poderia sim ser uma princesa africana. Vou mais longe ou mais perto, ela não era uma empregada, ela era uma pessoa, pessoa que tem nome, que tem identidade. Ela não é uma função.

Por algum tempo pensei que não poderia representar uma fada, afinal nunca tinha visto fadas negras.
Me olhava no espelho e não gostava do que via, tinha alguma coisa no meu sorriso que incomodava, eram os dentes, grandes demais, o corpo nem se fala, me perguntava pra que um quadril tão largo??? Certo dia via uma senhora negra no filme Atlântico Negro, gente ela era linda, seus dentes iguais aos meus. Desencanei e a cada dia vou desencanando mais, reconstruindo minha identidade.

Estou fazendo um curso de resgate de toques africanos. Todos sabem que sou inimiga do ritmo, mas não importa estou ouvindo, aprendendo e gostando do que vou descobrindo. Fui conversar com minha mãe e descobri que minha avô materna era irmã de Santo do Zé da Saia, a Mãe Xica do Ogum. Que era irmã carnal da Mãe Maria do Rgongo.



Estou buscando a identidade? Ou ela que está me procurando?



2 comentários:

ldiasf disse...

tu te iniciou, flor???
que liiiindo!!! :D

Josiane Acosta disse...

Não me iniciei, essa foto é do processo de criação da peça Antigona BR, do Grupo Caixa-Preta(2008, direção de Jessé Oliveira)